• Monica

Os cágados e suas interações na Lagoa do Violão, Torres/RS

Você já alimentou peixes e cágados com pão, biscoitos ou outros alimentos? Saiba por que esta atitude é tão prejudicial aos animais.


A Lagoa do Violão está localizada no centro urbano do município de Torres/RS e pode ser caracterizada como uma área de grande importância ambiental devido às diversas interações ecológicas de espécies que ali habitam. A lagoa é popularmente conhecida pela sua beleza encantadora, mas quem tira uns minutos do seu dia para admirar a paisagem, pode ver inúmeros animais ocupando tal espaço. Dentre aves, animais domésticos, peixes, insetos e a vegetação local, encontram-se os cágados, que são répteis dotados de carapaça. Mas você sabe por que eles são chamados assim? Embora estes animais pertençam à mesma ordem taxonômica (Testudines) das famosas tartarugas marinhas, eles possuem algumas características que os diferem. Os cágados são encontrados ocupando áreas de água doce e são considerados “semiaquáticos” pois realizam atividades dentro e fora d’água.


Na Lagoa do Violão encontra-se o “tigre-d’água” (Trachemyssp.), espécie de cágado muito comum e conhecida por suas listras em tons de amarelo e laranja, e o “cágado-da-lagoa”(Phrynops hilarii), de fácil identificação por possuir dois barbelos bicolores e uma faixa preta que sai do focinho e envolve sua cabeça.

A presença destes animais no local é de extrema importância para a manutenção do ecossistema equilibrado, sendo que a principal fonte alimentar destes répteis são os peixes. Uma vez que estes indivíduos são alimentados com comidas inapropriadas para seu consumo, automaticamente a frequência de procura pelos peixes vai diminuindo e os cágados ficam propensos a desenvolver doenças por estarem ingerindo alimentos de humanos. Infelizmente, é muito comum ver pessoas alimentando os cágados com pão, biscoitos e outros alimentos.


Em julho de 2019, um estranho fenômeno chamou a atenção da população: apareceu uma enorme quantidade de peixes mortos na Lagoa do Violão. Na época, foi esclarecido que tal evento foi natural pois a alta mortandade dos peixes ocorreu devido à baixa temperatura da água e ao grande número populacional (grandes cardumes) existente no local. Foi esclarecido à população, que ficou curiosa em relação a tal fato, que a morte havia sido somente das tilápias (Pseudocrocidolita), principalmente dos filhotes. Esta espécie não se adapta com baixas temperaturas e devido a Lagoa ter pouca profundidade, o fenômeno acabou sendo intensificado.

Por não existir muitos estudos nesta área, principalmente com os cágados da região, nos resta ficar com aquela “pulguinha atrás da orelha” e o seguinte questionamento: os cágados conseguiriam realizar o controle populacional de peixes na lagoa, se não fossem alimentados indevidamente pela população?



Escrito por: Natália Rodrigues de Oliveira, moradora nativa de Torres/RS. Bióloga que traz a Educação Ambiental de maneira informal no @oliveirabiologia e proporciona à comunidade em geral maior contato com a natureza, priorizando o mínimo impacto ambiental. É membra do @_naturama.

Fotos: Natália Rodrigues de Oliveira.

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